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Laserterapia na amamentação: o que a ciência diz

Ana Abbas
18 de março de 2026
Revisado em 05 de outubro de 2026

Por que a fissura mamilar importa

A fissura — rachadura ou ferida no mamilo — é uma das queixas mais comuns nos primeiros dias de amamentação, e a dor que ela causa é um dos motivos que levam muitas mulheres a pensar em parar. Quase sempre há uma causa por trás: pega, posição, frênulo lingual do bebê, ingurgitamento. Por isso, qualquer conversa sobre laser começa pela causa, e não pelo aparelho. Se você está nesse ponto agora, veja também o que fazer com a fissura no mamilo.

O que é a laserterapia de baixa potência

Também chamada de fotobiomodulação, ela usa luz de baixa intensidade aplicada sobre a lesão — nos estudos com fissura mamilar, luz vermelha de 660 nm. Não corta e não é laser cirúrgico. O objetivo é reduzir a dor e favorecer a cicatrização.

O que os estudos mostram

A evidência existe, mas é menor e menos consistente do que costuma ser anunciada. Os principais estudos:

  • Ensaio clínico triplo-cego (Coca e colaboradores, 2016, 59 mulheres, São Paulo). Três aplicações, com 24 horas de intervalo. O grupo que recebeu laser teve redução de 2 pontos (numa escala de 0 a 10) na dor 24 horas após a primeira aplicação e dor menor que a do grupo controle.
  • Ensaio clínico duplo-cego (Camargo e colaboradores, 2020, 80 mulheres). Uma única aplicação. A dor caiu cerca de 1 ponto nos dois grupos, com e sem laser: a aplicação isolada não mostrou benefício sobre o controle. Algumas mulheres sentiram formigamento.
  • Revisão sistemática com meta-análise (Alves e colaboradores, 2025, 7 ensaios). Encontrou menos dor durante a mamada e cicatrização mais rápida com o laser, mas classificou a certeza da evidência como baixa e pediu estudos maiores e padronizados.
  • Outra revisão com meta-análise (Gaitero e colaboradores, 2025, 3 ensaios). Não encontrou diferença significativa na dor entre laser e controle, e também concluiu que é preciso mais pesquisa.

Em resumo: alguns estudos sugerem alívio da dor, outros não encontram diferença, e os protocolos (dose, número de sessões) ainda variam muito. O laser é um recurso complementar razoável, não um tratamento de eficácia comprovada.

É seguro amamentar durante o tratamento?

Sim. A base LactMed, da Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos, considera a laserterapia e a fototerapia aceitáveis durante a amamentação. O bebê pode continuar mamando normalmente.

O que o laser não faz

  • Não corrige a causa. Se a pega continua difícil ou o frênulo do bebê limita a mamada, a fissura tende a voltar.
  • Não trata infecção. Suspeita de infecção, por bactéria ou fungo, precisa de avaliação e tratamento médico. O laser não substitui antibiótico nem antifúngico.
  • Não tem prazo garantido. A resposta varia de mulher para mulher; não há como prometer alívio em um número fixo de horas ou de sessões.

Como uso o laser na prática

Na minha prática, a laserterapia entra sempre dentro de uma avaliação completa da mamada: observo pega, posição, sucção, frênulo e peso do bebê, corrijo o que for possível ali mesmo e, quando faz sentido, uso o laser como apoio para a dor enquanto a causa é resolvida. O número de sessões é combinado conforme a resposta.

Este texto é informativo e não substitui avaliação individual. Dor intensa, febre, área vermelha e endurecida na mama ou ferida que não melhora são motivos para procurar atendimento.

— Ana Angélica Abbas · Enfermeira Obstetra · COREN-MG 376.105

Perguntas frequentes

O laser para fissura no mamilo funciona?

Pode ajudar, mas não é garantido. Um ensaio clínico brasileiro com três aplicações encontrou menos dor do que no grupo controle; um ensaio com uma única aplicação não encontrou diferença; e as revisões sistemáticas de 2025 classificam a evidência como de baixa certeza.

Posso amamentar durante o tratamento com laser?

Sim. A base LactMed, do NIH, considera a laserterapia aceitável durante a amamentação. O bebê pode continuar mamando.

O laser trata candidíase ou mastite?

Não. Infecção por fungo ou bactéria precisa de diagnóstico e tratamento médico. O laser não substitui antifúngico nem antibiótico.

Referências

  1. Efficacy of Low-Level Laser Therapy in Relieving Nipple Pain in Breastfeeding Women: A Triple-Blind, Randomized, Controlled Trial — Pain Management Nursing 2016;17(4):281-9 (Coca KP et al.) (2016). Consultado em 05/10/2026.
  2. The effect of a single irradiation of low-level laser on nipple pain in breastfeeding women: a randomized controlled trial — Lasers in Medical Science 2020;35(1):63-69 (Camargo BTS et al.) (2020). Consultado em 05/10/2026.
  3. Photobiomodulation as a promising approach in the management of nipple lesions during breastfeeding: a systematic review and meta-analysis of randomized clinical trials — Lasers in Medical Science 2025;40(1):276 (de Oliveira Alves R et al.) (2025). Consultado em 05/10/2026.
  4. Low-level laser therapy for nipple trauma and pain during breastfeeding: systematic review and meta-analysis — Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia 2025;47:e-rbgo3 (Gaitero MVC et al.) (2025). Consultado em 05/10/2026.
  5. Phototherapy — Drugs and Lactation Database (LactMed) — National Institute of Child Health and Human Development (NIH) (2026). Consultado em 05/10/2026.

Este conteúdo é educativo e não substitui avaliação individual. Em caso de sinais de alerta, procure a maternidade ou um serviço de urgência.

Ana Angélica Abbas, Enfermeira Obstetra

Sobre a autora

Ana Angélica Abbas · Enfermeira Obstetra

Enfermeira Obstetra (COREN-MG 376.105) com mais de 14 anos de experiência clínica em Belo Horizonte. Especialista em parto humanizado, consultoria de amamentação, laserterapia e pós-parto, com prática baseada em evidências (OMS, ACOG, NICE, Cochrane).

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