A mala que funciona é bem menor do que as listas que circulam por aí. Documentos organizados, roupas confortáveis para você, o essencial do bebê e uma mochila para o acompanhante resolvem a internação da maioria das famílias. O que faz diferença não é o volume: é ter em mãos, na admissão, o que a maternidade vai pedir.
Comece pelos documentos
Esta é a parte que realmente evita problema, e é a primeira que alguém vai te pedir. Separe tudo em uma pasta única, dentro da bolsa de mão, não no fundo da mala grande.
- Documento de identidade com foto e CPF, seus e do acompanhante.
- Cartão do plano de saúde, se você tiver, e cartão do SUS.
- Cartão de pré-natal completo, com todos os exames.
- Resultados de exames recentes, mesmo os que já estão anotados no cartão.
- Guia de internação ou autorização, quando o serviço exigir.
- Seu plano de parto impresso, em duas vias.
- Contato da sua equipe e da pessoa que vai avisar a família.
Fotografe tudo e guarde no celular, seu e do acompanhante. Papel se perde no meio de uma admissão.
Para você, no trabalho de parto
Aqui a lista é curta de propósito. Trabalho de parto pede conforto e mobilidade, não enxoval.
- Roupa leve e larga em que você se sinta à vontade, ou camisola própria, se a maternidade permitir.
- Chinelo com sola antiderrapante e meia.
- Elástico de cabelo.
- Garrafinha com bico. As Diretrizes Nacionais de Assistência ao Parto Normal registram, no item 19, que mulheres em trabalho de parto podem ingerir líquidos, de preferência soluções isotônicas. Leve a sua bebida e confirme a rotina do serviço.
- Fone de ouvido e uma playlist já baixada.
- Bolsa de água quente ou compressa, se for do seu gosto e a maternidade autorizar.
- Protetor labial. Parece bobagem e é dos itens mais usados.
Para o pós-parto
- Duas ou três trocas de roupa confortáveis, com abertura na frente se você pretende amamentar.
- Calcinhas confortáveis, em quantidade maior do que você imagina precisar.
- Absorventes pós-parto.
- Sutiã sem aro, confortável.
- Itens de higiene pessoal e toalha, se a maternidade não fornecer.
- Uma roupa para a saída, sem expectativa de caber no tamanho de antes da gestação.
- Carregador de celular com fio longo. O fio curto não alcança a tomada do quarto.
Para o bebê
Confirme antes com a maternidade o que ela fornece, porque isso varia bastante entre serviços e é a maior fonte de excesso nas malas.
- Bodies e macacões de manga comprida e curta, entre quatro e seis peças no total, em tamanho recém-nascido e um número acima.
- Meias e luvas, se você quiser usar.
- Manta leve.
- Fraldas descartáveis de tamanho recém-nascido, um pacote pequeno.
- Toalha com capuz.
- Roupa da saída, adequada à temperatura do dia.
- Bebê conforto instalado no carro antes, e não no dia da alta.
Para o acompanhante
A mochila do acompanhante não é detalhe. A Lei nº 14.737/2023 garante a toda mulher acompanhante maior de idade, de sua livre indicação, durante todo o atendimento em serviços de saúde públicos ou privados — o que inclui o trabalho de parto, o parto e o pós-parto. A garantia nasceu em 2005, com a Lei 11.108, restrita ao SUS. A indicação de quem será é sua. O item 18 das diretrizes brasileiras traz a mesma orientação. Em Minas Gerais, a Lei estadual nº 23.175/2018 trata o impedimento da presença de acompanhante como violência na assistência obstétrica. Ou seja: essa pessoa vai ficar, e por muitas horas.
- Duas trocas de roupa e agasalho, porque a temperatura interna costuma ser baixa.
- Comida que não estraga e não precisa de talher.
- Carregador próprio e power bank.
- Documento com foto e cartão do plano, se houver.
- Travesseiro pequeno, se a maternidade permitir.
O que geralmente volta sem sair da bolsa
Roupa demais para o bebê, sapatinho, kit de banho completo, enxoval decorativo, câmera profissional, secador, maquiagem e livros. A internação costuma ser mais curta e mais cheia do que se imagina. Leve pouco e combine com alguém de fora que pode trazer o que faltar. É mais fácil pedir do que carregar.
Quando deixar pronta e onde guardar
Por volta de 36 semanas a mala já pode estar fechada. Deixe a pasta de documentos por cima, em um bolso externo, e conte ao acompanhante onde está cada coisa, porque provavelmente é ele quem vai carregar tudo.
Se você for à maternidade e voltar para casa, não desfaça a mala. O item 90 das diretrizes prevê que quem ainda não está em trabalho de parto estabelecido, com até 3 cm, seja acolhida, receba alívio da dor se necessário e seja encorajada a permanecer ou retornar para casa, levando em conta a distância até o local do parto. Voltar é comum e não é sinal de que você errou a hora.
Antes de fechar a mala, feche a decisão
A mala é a parte fácil. O que costuma faltar é a conversa anterior: onde você vai parir, quem entra com você e o que já foi combinado com a equipe. Se essa parte ainda está aberta, vale ler como escolher a maternidade em BH e conhecer os seus direitos no parto.
Nos cursos para casais grávidos a gente organiza isso junto, incluindo a mala, e o acompanhante participa. Mais textos desta fase estão em preparação para o parto.
Este conteúdo é educativo e não substitui a avaliação individual da sua equipe nem as orientações da maternidade onde você vai parir.

