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Pega correta na amamentação: os sinais de que está certa

Ana Abbas
13 de setembro de 2026
Revisado em 05 de outubro de 2026
Pega correta na amamentação: os sinais de que está certa

Na pega correta, o bebê abocanha o mamilo e parte da aréola, com a boca bem aberta, os lábios virados para fora, o queixo tocando a mama e as narinas livres. Você sente pressão e tração, ouve a deglutição, e não sente dor que persista ao longo da mamada. Quando dói do começo ao fim, quase sempre há algo a corrigir — e quase nunca é "pele sensível".

Por que a pega decide quase tudo

A pega determina se o bebê consegue retirar leite de forma eficiente e se a sua mama vai sair inteira da mamada. Uma pega inadequada pode produzir três efeitos ao mesmo tempo: o bebê mama muito e ganha pouco, a mama não esvazia bem — o que favorece ingurgitamento — e o mamilo é comprimido em posição errada, o que produz fissura. É por isso que problemas aparentemente distintos costumam ter a mesma origem.

Os critérios oficiais, um a um

O material de aleitamento materno da rede pública, baseado no Caderno de Atenção Básica nº 23 do Ministério da Saúde, lista o que deve estar presente:

  • a cabeça do bebê no mesmo nível da mama, com a boca abaixo do nível do mamilo;
  • esperar o bebê abrir bem a boca e abaixar a língua antes de aproximá-lo do peito;
  • abocanhar, além do mamilo, parte da aréola — aproximadamente 2 cm além do mamilo;
  • o queixo do bebê tocando a mama;
  • as narinas livres;
  • a boca bem aberta e colada à mama, sem apertar os lábios;
  • os lábios curvados para fora, formando um lacre — para ver o lábio inferior, às vezes é preciso baixá-lo com o dedo;
  • a língua sobre a gengiva inferior.

O mesmo material orienta segurar a mama em "C", com o polegar acima do mamilo e o indicador abaixo, na transição aréola-mama — e não com os dedos em tesoura sobre a aréola, que atrapalha a entrada da mama na boca do bebê.

Como saber que está funcionando

A pega correta se confirma no que acontece depois. A diretriz de cuidado pós-natal do NICE lista o que deve ser avaliado numa amamentação: as preocupações dos pais, com que frequência e por quanto tempo o bebê mama, se há sucção rítmica e deglutição audível, se ele fica satisfeito depois, se acorda para mamar, a curva de peso, o número de fraldas molhadas e sujas, e o estado das mamas e dos mamilos.

Repare que a lista mistura o que se vê na mamada com o que se observa nas 24 horas seguintes. Nenhum item isolado fecha a conclusão. A mesma diretriz recomenda observar uma mamada nas primeiras 24 horas após o parto e pelo menos mais uma na primeira semana — o que diz muito sobre quanto essa avaliação depende de alguém olhando, e não de um checklist lido no celular.

Sinais de que algo está errado

  • dor que persiste durante toda a mamada, ou entre as mamadas;
  • mamilo saindo achatado, com uma linha branca ou em formato de bico de batom;
  • estalos ou barulho de sucção, em vez de deglutição;
  • bochechas encovadas a cada sucção;
  • mamadas muito longas que terminam sem o bebê parecer satisfeito;
  • fissura, rachadura ou sangramento no mamilo.

O que costuma resolver

Posição do corpo antes da boca. A maior parte das correções de pega é correção de posicionamento: barriga do bebê contra o seu corpo, cabeça e tronco alinhados, corpo apoiado por inteiro. Um bebê torcido não consegue abrir bem a boca nem engolir com conforto.

Esperar a boca abrir. Encostar o mamilo no lábio superior e esperar o reflexo de abocanhar. Aproximar o bebê da mama, e não a mama do bebê.

Assimetria proposital. Mais aréola visível acima da boca do que abaixo, com o queixo mergulhando na mama primeiro.

Desfazer o vácuo para soltar. Dedo mínimo limpo pelo canto da boca antes de afastar. Puxar com o vácuo ativo machuca.

Quando a pega parece certa e continua doendo

Acontece, e nesse ponto o roteiro caseiro se esgota. As causas mais comuns são fissura já instalada, ingurgitamento que endurece a aréola e dificulta a pega, alteração do frênulo lingual, infecção e vasoespasmo. Cada uma pede conduta diferente, e nenhuma se resolve com "aguentar até acostumar" — dor forte não é etapa obrigatória da amamentação.

Sobre a aréola tensa que impede a pega, escrevi em peito empedrado. Sobre a avaliação do frênulo, em língua presa do bebê. Os dois textos e este integram o hub de amamentação.

Quando pedir ajuda

Não espere a fissura sangrar nem o peso do bebê cair para procurar avaliação. Se a dor não cede depois de ajustar posição e pega, se o bebê não está molhando fraldas como esperado, ou se você simplesmente não consegue enxergar sozinha o que está acontecendo, é hora de ter alguém observando uma mamada inteira.

É isso que a consultoria de amamentação faz: avaliação da dupla, correção guiada em tempo real e registro do que foi feito. Quando já existe fissura, a laserterapia pode entrar como recurso complementar, sem promessa de resultado: os estudos que medem o efeito do laser na dor e na cicatrização da fissura têm evidência de baixa certeza, e as revisões mais recentes divergem. Se a situação é aguda e não pode esperar, veja o atendimento de urgência em amamentação.

Este conteúdo é educativo e não substitui avaliação individual.

Perguntas frequentes

Amamentar com a pega correta dói?

Pode haver desconforto nos primeiros segundos da mamada. Dor que persiste durante toda a mamada, ou que continua entre elas, indica que algo precisa ser corrigido ou investigado.

Quanto da aréola o bebê precisa abocanhar?

Além do mamilo, cerca de 2 cm de aréola, segundo o material oficial de aleitamento materno. Em geral fica visível mais aréola acima da boca do que abaixo.

O nariz do bebê pode encostar na mama?

As narinas devem ficar livres. Se o nariz está comprimido, geralmente o corpo do bebê precisa ser aproximado do seu, e não a mama afastada com o dedo.

Corrigi a pega e ainda dói. O que pode ser?

Fissura já instalada, ingurgitamento, alteração do frênulo lingual, infecção ou vasoespasmo são possibilidades. Dor persistente com pega aparentemente adequada merece avaliação presencial.

Como tirar o bebê do peito sem machucar?

Introduza o dedo mínimo limpo pelo canto da boca para desfazer o vácuo antes de afastar. Puxar com o vácuo ativo é uma causa evitável de fissura.

Referências

  1. Caderno de Atenção à Saúde da Criança — Aleitamento Materno — Secretaria de Estado da Saúde do Paraná, com base no Caderno de Atenção Básica nº 23 do Ministério da Saúde. Consultado em 07/09/2026.
  2. Postnatal care (NG194) — NICE (Reino Unido) (2021). Consultado em 07/09/2026.

Este conteúdo é educativo e não substitui avaliação individual. Em caso de sinais de alerta, procure a maternidade ou um serviço de urgência.

Ana Angélica Abbas, Enfermeira Obstetra

Sobre a autora

Ana Angélica Abbas · Enfermeira Obstetra

Enfermeira Obstetra (COREN-MG 376.105) com mais de 14 anos de experiência clínica em Belo Horizonte. Especialista em parto humanizado, consultoria de amamentação, laserterapia e pós-parto, com prática baseada em evidências (OMS, ACOG, NICE, Cochrane).

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